Curta feito por Cristiana Grumbach, que acompanha seis pessoas lendo dois poemas numa sala, um deles, Habitar o Tempo, de João Cabral de Melo Neto.
Esse é o tipo de filme que me faz questionar minha cinéfila. Eu odiei cada segundo de curta. E olha que foram apenas 15 minutos, 900 segundos. Foram 900 momentos de ódio. Pensando dessa maneira, realmente parece bastante.
Pra gente não perder mais “tempo”, pedi para o Google resumir o poema:
“Habitar o tempo” é um poema de João Cabral de Melo Neto, pertencente à obra A Educação pela Pedra (1966), que aborda a dificuldade de viver o momento presente. A obra contrasta a tentativa de habitar o tempo presente, descrito como transparente e inalcançável, com a necessidade de preenchê-lo com ações para que ele se torne concreto. O eu lírico conclui que a verdadeira vivência do tempo só ocorre através da memória, no passado, onde ele ganha substância e sentido, ao contrário do instante efêmero.
Achei muito poético que um filme que se passa em tão pouco tempo e que fala tanto sobre o tempo me fez pensar no tempo de outras formas, o tempo perdido, o tempo que falta, o desejo por avançar o tempo, o desejo do término, do fim dos tempos.
A cada parágrafo que acabava eu sentia uma esperança do fim, que era quebrada pelo próximo parágrafo iniciado. Os quinze minutos eram eternos, os 900 segundos duravam mais que 900 segundos. Eu não queria habitar esse tempo.
Enfim, certeza que é um belo poema, tinha bastante gente interessante e inteligente ali, acho que a provocação de ser uma leitura chata faz parte, mas infelizmente me desagradou absolutamente.
Michael Renzetti é o criador do Perigoso Divino Maravilhoso. Um pseudo-escritor e comentarista do cinema brasileiro, com formação crítica construída em cursos realizados na Escola Livre de Cinema, Cinética, CineCuti, entre outros, onde aprofundou seus estudos em teoria, análise fílmica e pensamento cinematográfico. Penetra em importantes festivais do país — como o CineBH, a Mostra de Tiradentes, a CineOP e o Olhar de Cinema — desenvolveu um olhar atento ao audiovisual nacional, articulando repertório acadêmico e vivência de circuito.


Comentários
Uma resposta para “Crítica: Habitar o Tempo (2025)”
[…] é o tipo de curta que a gente gostaria que fosse longa. Se Habitar o Tempo (2025) fez com que quinze minutos parecessem eternos, Um Certo Cinema Brasileiro (2026) fez sete minutos […]