Curta feito por Ariel Serrão e Tainá Lima, que acompanha um recorte de vida de João Bertolucci, conhecido em Boituva por ser imitador do Gil Gomes.
Esse filme tem uma ideia geral bem interessante, de seguir um personagem caricato e nos conectar a sua história mais conhecida até chegar à sua vida pessoal. E faz tudo de forma sublime, com excelentes recortes, planos, toda intervenção é certeira. E também tem uma ótima premissa. Um rapaz é conhecido numa cidade por ser imitador do Gil Gomes. Excelente. Vamos ter um revival de Gil Gomes, explicando para todos quem é ele, e como se deu essa conexão. Estou 100% investido.
Mas acaba que o curta não tem um grande gancho. Não está acontecendo nada de mais, nada novo diferenciado, que nos faça ter por que saber da história de João Bertolucci, o imitador do Gil Gomes. É “apenas” uma boa anedota de um personagem de uma cidade pequena. Ok, ele está se aposentando, está com problemas de saúde, mas não são situações grandes o suficiente para que a história nos ataque, surpreenda, ou crie alguma apreensão/fechamento interessante. Por isso, mesmo com a ótima ideia e excelente execução, saí de Voltamos a Apresentar pensando, “tá, mas e aí?”.
Lógico, não precisa ter um “e aí”. O “e aí” é isso aí que você viu. e está tudo bem. Mas não é dos melhores sentimentos de se ter ao sair de um filme.
Michael Renzetti é o criador do Perigoso Divino Maravilhoso. Um pseudo-escritor e comentarista do cinema brasileiro, com formação crítica construída em cursos realizados na Escola Livre de Cinema, Cinética, CineCuti, entre outros, onde aprofundou seus estudos em teoria, análise fílmica e pensamento cinematográfico. Penetra em importantes festivais do país — como o CineBH, a Mostra de Tiradentes, a CineOP e o Olhar de Cinema — desenvolveu um olhar atento ao audiovisual nacional, articulando repertório acadêmico e vivência de circuito.

