A Revolta das Lixeiras (2025) é um curta de ficção científica feito por jovens entre 9 e 15 anos numa oficina de cinema do projeto Trakinagem Cinema e Educação.
Greve e reformismo
O filme pode ser encarado como uma ficção científica “pré-apocalíptica”, pois conta a história de como lixeiras ganham vida, aparentemente pela força do ódio contra estudantes que sujam a escola, mas que conseguem resolver tudo após uma greve. As crianças foram espertas e não deixaram o apocalipse acontecer.
Gosto que a greve foi utilizada nesse curta, pois mostra que, mesmo numa sociedade individualizada, sem o contexto industrial, de fábricas, que criou a consciência operária brasileira nos anos 80, os jovens mantêm esse espírito, ou pelo menos entendem que a greve pode gerar resultados.
Sinto apenas que as lixeiras pediram pouco. Só queriam que as pessoas fizessem o básico? Jogar lixo no lixo? Cadê a coleta seletiva? Sacos melhores? Mais postos de trabalho? O empregado negociou com o patrão e novamente saiu perdendo, pois as crianças apenas passaram a exercer seu dever básico. Direitos não foram ampliados.
Faltou uma lixeira com mais ímpeto, com um teor revolucionário. Lixeiras reformistas não levarão nossa limpeza ao próximo nível. Precisamos de mais.
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Michael Renzetti é o criador do Perigoso Divino Maravilhoso. Um pseudo-escritor e comentarista do cinema brasileiro, com formação crítica construída em cursos realizados na Escola Livre de Cinema, Cinética, CineCuti, entre outros, onde aprofundou seus estudos em teoria, análise fílmica e pensamento cinematográfico. Penetra em importantes festivais do país — como o CineBH, a Mostra de Tiradentes, a CineOP e o Olhar de Cinema — desenvolveu um olhar atento ao audiovisual nacional, articulando repertório acadêmico e vivência de circuito.


Comentários
One response to “Crítica: A Revolta das Lixeiras (2025)”
[…] espectadores, como eu, que não tem muita criatividade, memória, ou grande repertório poético. A lixeira reformista me marcou muito […]