Curta feito por Luísa Reis, que mostra, através de arquivos policiais da Primeira República (entre 1889 e 1930) sobre exames médicos realizados em jovens mulheres da época, uma história do tempo de violência contra a mulher.
A ideia desse filme é matadora. Luísa pega documentos da polícia sobre mulheres que perderam sua virgindade antes do casamento, ou seja, foram “Defloradas”, e lê cada um deles na tela, junto com imagens caseiras ou jornalísticas de mulheres do início do século XX. Apenas a justaposição desses dois itens na tela já nos conta toda uma história da violência da mulher no Brasil.
É um filme feito com perfeição, que consegue passar sua mensagem de forma absurdamente clara sem precisar de nenhuma entrevista, um narrador, alguém pra te contar nada. Só dá gente ver o que objetivamente foi colocado no papel da época já deu pra construir na cabeça toda uma imagem do que as mulheres sofriam, e construir também toda uma linha até os dias de hoje.
É um clássico caso de filme que usa perfeitamente seu meio. Defloradas (2025) tem o tamanho perfeito, é excelente como curta, te passa tudo que você precisa nos sete minutos de projeção. Claro, sempre pode-se produzir um longa sobre o assunto, com entrevistas, narração, mais conteúdo histórico, mas aí se transforma num outro filme, com outra pegada, e talvez se torne menos eficiente.
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Michael Renzetti é o criador do Perigoso Divino Maravilhoso. Um pseudo-escritor e comentarista do cinema brasileiro, com formação crítica construída em cursos realizados na Escola Livre de Cinema, Cinética, CineCuti, entre outros, onde aprofundou seus estudos em teoria, análise fílmica e pensamento cinematográfico. Penetra em importantes festivais do país — como o CineBH, a Mostra de Tiradentes, a CineOP e o Olhar de Cinema — desenvolveu um olhar atento ao audiovisual nacional, articulando repertório acadêmico e vivência de circuito.

