O Invasor (2001)

Crítica: O Invasor (2001)

Resumo:

O Invasor (2001) é um drama dirigido por Beto Brant, adaptado do livro homônimo de Marçal Aquino. Conta a história de dois engenheiros que planejam e concretizam o assassinato de um terceiro sócio da empresa e as consequências dessa “abertura” de uma relação com um assassino de aluguel. 

Invasor ou convidado? 

No resumo eu já deixei claro que existiu uma “abertura” para Anísio (Paulo Miklos) entrar na história de vida dos engenheiros Giba (Alexandre Borges) e Ivan (Marco Ricca). Ele invade o trabalho dos dois e se coloca ali como par, ok, mas nunca saberia da existência de nenhum deles, da empresa, da filha do sócio assassinado, de nada, se não tivesse sido contratado por eles. É o famoso “ora ora se não são as consequências dos meus atos”.

Ao sair da legalidade, e partir para maneiras escusas de fazer negócios, você pode – e vai – ter que lidar com esse tipo de problema. Não é só você que é esperto. Não é só pagar alguém que seus problemas desaparecem. Você convida para sua vida as consequências de agir de forma ilegal. 

E cada um sofre mais ou menos consequências, dependendo do seu nível de esperteza e desprendimento. Giba estava sempre um passo à frente. Não era só contra o sócio que ele estava agindo, era contra os dois. Era contra tudo e todos. E isso, no fim, foi o que acabou com Ivan. 

Melhor propaganda para não fazer nada pela metade

Ivan não pertencia àquele mundo. E você não pode estar ali sem saber até onde precisa ir, todas as consequências que vai enfrentar, e não estar preparado para todas elas. Não dá pra ir reagindo enquanto as coisas vão acontecendo. Nem pra planejar um assassinato e desistir, assassinar e não seguir com as mutretas, fazer as mutretas e querer abandonar tudo. Não se pode fazer esse tipo de coisa pela metade.

Giba sabia que Ivan era fraco desde o começo. Por isso contratou Cláudia, que era Fernanda, que é Malu Mader, para ficar de olho nele e entender seus movimentos. Por isso também tinha policiais em suas mutretas. Ele era experiente. Tinha um bordel, uma empresa de engenharia, os contatos, o dinheiro. Estava preparado para ir até as últimas consequências. 

Ivan foi levado. Igualmente culpado, mas completamente despreparado. Não tinha outro plano. Não tinha ideia das consequências. Por isso, apenas reagiu a tudo, foi facilmente enganado e levado ao desespero. Vou falar mais sobre as dimensões da palavra “Invasor” mais pra frente, mas, como introdução, é por ter entrado num mundo a qual não pertence que Ivan também se torna um “Invasor”. Ele é, inclusive, o único dos personagens que realmente invade fisicamente dois locais. O apartamento de Cláudia/Fernanda e o Bordel de Giba. 

Somos todos Invasores

É fácil ver que Anísio é o Invasor. Lógico, tá na testa dele na capa do filme. Além disso, ele é o cara de fora, o contratado, quem não deveria estar ali, e ele passa a fazer parte de uma vida que não lhe pertence. Um invasor. Até mesmo Paulo Miklos ser o não ator responsável pela performance do personagem é uma invasão. Um músico no meio de um filme. Outra invasão. 

Mas os outros personagens são menos invasores? Ivan nós já discutimos. Participa de mutretas sobre as quais não tem verdadeira ação, nem concorda com elas direito, desiste de tudo. Ele é um invasor no mundo da corrupção. E no fim vira um verdadeiro invasor de estabelecimentos.

Giba também é um invasor, de tudo. Ele está em todos os lugares, mas de forma disfarçada, nas negociatas, nos esquemas. É o dono do bordel, mas ninguém sabe. Planejou o assassinato do sócio, mas finge que chora ao encontrar os corpos. Mente para a família fingindo ser bom pai e marido. Invade todos os lugares com sua mentira. 

E Marina, a filha do sócio assassinado? Entra em diversos mundos dos quais não pertence. Vira a nova sócia da empresa, mesmo não sabendo nada sobre e nem querendo estar ali. É tatuada, com cabelo colorido, diferente do restante de sua família. Vai para o “mundo” de Anísio – que é simplesmente um bairro pobre – e parece um extraterrestre ali. Invasora. 

De uma forma ou de outra estamos todos fingindo, interpretando, invadindo as vidas uns dos outros. #SomosTodosInvasores. 

Um filme da sua época

Para finalizar, gostaria de falar das escolhas artísticas e estilísticas, do filme. O Invasor (2001) é um filme bem de sua época. É bastante 2001, algo chamado “Estética Y2K”, uma mistura de tecnologia futurista, nostalgia, digital, pop punk, edgy, metálico. E no cinema, os diretores resolveram usar ângulos de câmera “na mão”, como se estivessem fazendo documentários. 

São… escolhas. Ousadas. Que envelhecem o filme. Ele parece eternamente preso em 2001, sem escapatória. Bom, pode ser outro paralelo interessante com Ivan, que também está preso sem escapatória. Talvez fosse melhor ficar pra sempre em 2001 mesmo. 

O bom para O Invasor (2001) é que essa estética está voltando. Temos diversos filmes emulando o Y2K no cinema hoje em dia. Então é a hora perfeita para você assistí-lo. 

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