Resumo
Palco Cama (2025) é um documentário dirigido por Jura Capela que registra uma conversa performática com o dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, filmada em seu quarto e transformada em um experimento entre teatro e cinema.
Tudo é cinema
Palco-Cama é um belíssimo documentário sobre Zé Celso, monstro sagrado do teatro brasileiro, fundador e líder do grupo Teatro Oficina, de São Paulo, que assisti na Mostra de Cinema de Tiradentes. Filmado há alguns bons anos, é atemporal, e se mostra, agora após sua morte, uma grande homenagem a esse incrível pensador, não apenas das artes, como do Brasil.
É interessante pensar que o cinema pode ser muitas coisas, pode adquirir muitas formas diferentes e que muito pode ser feito com recursos escassos, ou com esforços bem definidos. Palco-cama é um documentário feito apenas com uma câmera, mal iluminado, com barulho externo. E é maravilhoso.
Claro que a parte da má iluminação e do barulho deve ser colocada na conta do entrevistado, que queria sentir o vento e não queria estar no meio de tanta luz, mas podemos ver que, com um conteúdo tão bom, tão provocador, tão instrutivo, de tanta qualidade, nada mais importa. Não precisamos dos melhores microfones, das melhores luzes e de refletores para fazer cinema. É ligar uma câmera e passar o que queremos. Ou o que a outra pessoa tem a oferecer.

Uma mente brilhante
Porque devo dizer que o documentário parece brilhar mais pela mente de Zé Celso do que por qualquer outra coisa. Quase não tem interrupções, perguntas, é quase que um monólogo. É ligar a câmera e deixar o homem falar. E isso não é um demérito ao diretor. Às vezes é isso que precisa ser feito. Dar espaço, não forçar um caminho, também é um caminho, também é uma direção. E, para mim, foi a mais acertada. Estávamos ali, na cama de Zé Celso, ouvindo tudo que ele tinha a dizer, de forma íntima, sem filtros, orgânica.
Nem vou tentar me aprofundar nos assuntos tratados porque nem tenho roupa para tal. É tanta profundidade, tanta conexão, tanto conhecimento, que é preciso ver e rever com papel e caneta pra anotar tudo, e apenas aprender. Palco-cama é fantástico. Zé Celso é fantástico. O cinema é fantástico.
Links espertos
Veja o teaser do filme aqui.
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Michael Renzetti é o criador do Perigoso Divino Maravilhoso. Um pseudo-escritor e comentarista do cinema brasileiro, com formação crítica construída em cursos realizados na Escola Livre de Cinema, Cinética, CineCuti, entre outros, onde aprofundou seus estudos em teoria, análise fílmica e pensamento cinematográfico. Penetra em importantes festivais do país — como o CineBH, a Mostra de Tiradentes, a CineOP e o Olhar de Cinema — desenvolveu um olhar atento ao audiovisual nacional, articulando repertório acadêmico e vivência de circuito.


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