Abraço de Mãe

Crítica: Abraço de Mãe (2024)

Resumo:

Abraço de Mãe (2024) é um filme de terror brasileiro, ambientado num Rio de Janeiro dos anos 90. Conta a história de Ana, uma bombeira, que passou por um grande trauma quando criança, e que volta à tona ao atender um chamado de desabamento em um asilo. 

Vamos criticar produções nacionais? 

Anotei várias coisas ao assistir Abraço de Mãe (2024) no Google Keep. Tudo crítico. Tudo questionando por que eles tiveram a audácia de realizar esse filme. 

Vocês fizeram um terror genérico? Sem muitos elementos que remetem a Brasil? História de Parque de Diversões macabro? Casarão caindo aos pedaços com uma seita lá dentro? Com atores bem meia bocas em alguns papéis? Ah, não, isso os americanos fariam melhor que vocês, não tenham essa audácia, por favor. Já ouviram falar no Movimento Antropofágico? 

Ao que eles podiam simplesmente me responder:

Fizemos sim filho da puta tem algum problema?

E realmente não tem nenhum problema. Estou errado. Façam seus terrores genéricos estadunidenses, façam tudo. Ainda mais quando é tão bem feito quanto Abraço de Mãe (2024).

A história realmente é bem qualquer coisa, mas funciona bem para o que querem passar. Tem uma bombeira que teve um trauma quando criança (um bom trauma, um trauma de suicídio/assassinato feito pela própria mãe – foda) e que revive tudo em um novo contexto. E as coisas são reais, mas não são, mas são sim, e o real e o psicológico tudo se conecta e a gente sai do filme pensando em nossos próprios traumas. Nada que você já não tenha visto antes. 

Mas é muito bem feito. Lindo. Olha essa cena, bem no início, do Parque de Diversões. 

Foda. 

E essa cena bastante spoiler do ritual no finalzinho? 

Linda. 

Apenas um excelente filme de terror

Abraço de Mãe (2024) consegue construir bem o ambiente, os traumas da personagem, com uma fotografia linda e um plot divertidíssimo. Poderia acabar um pouco melhor? Poderia. Eu queria um desfecho mais intenso, com mais a perder, mais traumático do que apenas cortar um fio/cobra/bicho no pé, que corresponde a um cordão umbilical. Deveria ser mais difícil se livrar do trauma de mãe. 

Gostaria também de mais profundidade sobre a seita. Desde quando estão ali? O que fazem funciona mesmo? Os integrantes não me parecem malucos o suficiente. O que aconteceu com o estrangeiro e sua filha? Por que ele quer que ela passe por isso? Precisava do amigo bombeiro levar o chefe e o motorista pra lá também? Não era só chamar a Marjorie Estiano sozinha? Falar que tem um show da Vagabanda marcado? 

Enfim, já falei isso aqui antes em algum lugar que não consigo encontrar (então leia todos os textos): nós sobrecriticamos nossos filmes porque precisamos e exigimos que cada um deles seja perfeito, único, que tenha mais de um, dois, três sentidos, que explique o Brasil, que critique o governo, que faça uma leitura da conjuntura socioeconômica e desenhe caminhos para a revolução. 

Abraço de Mãe (2024) não faz nada disso. É apenas um excelente filme de terror. E está tudo bem. 

Links espertos:

Onde assistir Abraço de Mãe? Na Netflix.

Quer mais terror? Leia a crítica de Trabalhar Cansa.

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