Acabei de escrever um texto de como O Agente Secreto deveria ter vencido o Oscar e gostei muito do exercício. Tanto que pensei agora em passar por TODA A HISTÓRIA DO CINEMA (nem tanto) e mostrar pra vocês todos os filmes nacionais que também mereciam esse prêmio e não conquistaram. Bom que fica também como uma dica do que assistir se você finalmente entrou no belíssimo barco do cinema nacional. Seja bem vindo à bordo, eu serei seu capitão, tenha uma boa viagem.
1 – Cidade de Deus em 2003
Esse não é meu filme brasileiro favorito. O formato câmera na mão, meio documentário de uma favela em que tudo é (erroneamente) ligado ao crime não me agrada tanto. Acho que tem pouca sensibilidade ali. Mas não deixa de ser um filmaço, icônico, amado por todos, no mundo inteiro. Tava vendo essa belíssima reportagem investigava (um post no Instagram) e, no Letterboxd, (pior redutos dos terríveis assistidores de filmes – inclusive me siga lá), ele é o mais bem avaliado do ano.
E o vencedor foi Senhor dos Anéis 3. O pior deles. Ok, era o fim, ia acabar esse evento canônico na história do cinema, realmente era uma época de loucuras, mas Senhor dos Anéis 3 é o pior dos três filmes, que já haviam ganhado bilhões de Oscar nos anos anteriores. Precisava? Não precisava. Inclusive, como comparação, o segundo Senhor dos Anéis perdeu em 2002 para Chicago, que não me parece nada de mais. Então mais que justo ganharmos essa.

2 – Ainda Estou Aqui em 2025
Aqui vem o mesmo papo d’O Agente Secreto. Se o superior filme estrangeiro chegou tão longe, mesmo sendo feito por um milionário, ele merece mais que os estadunidenses. E olha que Anora é indie, feito pelo meu queridinho (na questão de fazer filmes, não sei nada e não quero saber nada sobre sua vida pessoal) Sean Baker, A Substância é fantástico, Conclave é um dos filmes mais divertidos da atualidade e tudo mais.
3 – Deus e o Diabo na Terra do Sol
Esse aqui nem precisa falar nada né? Duvido que tenha filme melhor. Nunca assisti o vencedor, My Fair Lady, mas tenho certeza que o filme mais importante da história do nosso país é superior. Vamos deixar o próprio Glauber falar mais sobre isso:
4 – Pixote, A Lei do Mais Fraco
Esse tem uma super história que investigarei mais à fundo em breve aqui no blog. Mas, em resumo, ele deveria ter sido indicado, mas descumpriu o regulamento por ter “estreado” dois meses antes do que podia. Leia mais sobre aqui. E é uma pena, viu, pois Pixote é fantástico, tem tudo que gringo ama em filme estrangeiro, tinha muita chance de ganhar.
5 – Central do Brasil
Esse aqui é sacanagem. Perder pra A Vida é Bela (que realmente é belíssimo) e nem disputar contra o terrível Shakespeare Apaixonado… Nem tenho palavras. Tanto Central do Brasil quanto Fernanda Montenegro deveriam ter vencido.

Menções honrosas
Na lista eu peguei apenas quem disputou, foi enviado pelo Brasil para a competição. Mas se pegar no geral, tem muito filme que merece também.
Cabra Marcado para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho
O melhor documentário já feito, tirando Os Catadores e Eu, da Agnes Varda.
O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla
Meu filme brasileiro favorito. Mais Goddard que muito Goddard. Maluco, fantástico, cinema, perseguição, linguagem, tudo misturado de forma linda e confusa.

Iracema, uma Transa Amazônica (1975), de Jorge Bodansky e Orlando Senna
Uma das maiores obras já feitas. Simplesmente fantástico, épico, explica todo o Brasil dos anos 70 em diante. Atuações absurdas.
Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos
O filme que criou o cinema novo brasileiro. O filme mais brasileiro de todo Brasil. O pai de tudo. Meu segundo filme brasileiro favorito.
Assista a todos.
Michael Renzetti é o criador do Perigoso Divino Maravilhoso. Um pseudo-escritor e comentarista do cinema brasileiro, com formação crítica construída em cursos realizados na Escola Livre de Cinema, Cinética, CineCuti, entre outros, onde aprofundou seus estudos em teoria, análise fílmica e pensamento cinematográfico. Penetra em importantes festivais do país — como o CineBH, a Mostra de Tiradentes, a CineOP e o Olhar de Cinema — desenvolveu um olhar atento ao audiovisual nacional, articulando repertório acadêmico e vivência de circuito.

