Cobertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes

29a Mostra de Cinema de Tiradentes

Agora que já terminei todas as resenhas dos filmes que assisti na Mostra (você encontra todas aqui), posso fazer uma cobertura geral do evento, pra você ter um gostinho do que é visitar essa belíssima cidade histórica de Minas Gerais pra assistir uns filminhos e turistar. Recomendo fortemente que você o faça no ano que vem.

Primeiramente, uma dica de transporte. Se você está saindo de Belo Horizonte, ao invés de fazer o trajeto BH – São João Del Rei e depois o ônibus São João Del Rei – Tiradentes, saiba que a viação São Luiz está com algumas viagens especiais diretamente para o evento, e já te deixa em Tiradentes, na estação de trem. Infelizmente os horários não são dos melhores, o que eu peguei saía da cidade 13h30, o que não ajuda muito o trabalhador que precisa ficar no serviço até às 18 horas. Mas se você tem alguma flexibilidade, eu recomendo muito, pois ele já te deixa na cara do gol numa hora muito boa, 17h30. Assim, você consegue aproveitar bem a primeira noite de festival, que foi (quase) o que fiz.

23/01/2026 – Primeira noite

Ficamos (vou sempre falar aqui no plural pois fui acompanhado de minha belíssima esposa) hospedados na Pousada Uai, pertinho do centro, muito bem localizada. Mas devo dizer que não a recomendo. Meu quarto, o 1, era na porta da Pousada, exatamente essa porta e janela que você vê na foto, então qualquer pessoa passando pela entrada era notada (inclusive consegui acompanhar muito bem um grupo passeando com um cachorro quase meia noite) e muitos carros também passam bem perto, o que causa mais barulho do que gostaria.

Além disso, a Pousada está envelhecida, pouco cuidada, tem um banheiro muito pequeno e mal desenhado. Pra você sentar no vaso tem que abrir a porta do box. E abrindo a porta do box você fecha a passagem para o restante do quarto. Mas o café da manhã é muito bom. Isso precisa ser dito. Mas, por 600 reais em duas diárias, eu esperava um pouquinho mais. 

Após realizar o check-in, entender onde estávamos, passamos na Cine-Tenda para ver como tudo estava e já pegar o clássico livrinho da programação. 

Já era hora de jantar, então fomos experimentar um clássico de Tiradentes, o Tragaluz. Um restaurante chique, caríssimo, super tradicional da cidade, com mais de 25 anos de existência, que fica num casarão de mais de 200 anos. Lindíssimo. 

E o restaurante já começou entregando tudo que promete. Pedimos uma entrada super básica de pastel de milho e coxinha de rabada. E devo dizer que foi o melhor pastel de milho que já comi. E olha que sou um super fã e conhecedor de pastel de milho, então você tem um bom avaliador aqui. Peça sem medo, por favor, e me agradeça depois. 

Pastelzinho craque do jogo

De prato principal fui de Pintada Tragaluz, a clássica Galinha d’Angola com arroz caldoso. Perfeito. Vale o salgado preço que se paga. Minha esposa foi de Caipira Apaixonado, um pappardelle com linguiça caipira mineira. Bem gostoso, mas comum. Peça a galinha. Mesmo se você tiver medo da questão da angola, peça a galinha. Vale cada centavo. 

Pintada Tragaluz (Já tinha comido uma garfada quando lembrei da foto)
Um macarrão

E de sobremesa fomos de Goiabada Tragaluz e Doce de Leite Tragaluz. Dois grandes acertos. A goiabada é uma loucura, empanada com castanha de caju e frita. Só achei que o sorvete de goiaba tornou tudo goiaba demais. Trocaria facilmente pelo sorvete de queijo, que estava na superior sobremesa Doce de Leite Tragaluz. Seria minha escolha numa próxima vez.

Loucura essa goiabada tá? Mas o sorvete bem que podia ser de queijo
Sobremesa craque da sobremesa

A conta ficou caríssima, na casa de R$600, pedindo água, coca, cerveja e vinho junto, claro. Mas, para uma experiência de vez em nunca, vale a pena. 

Depois dessa comilança toda voltamos à Cine-Tenda pra tentar ver a abertura, o primeiro filme e o show, mas não conseguimos entrar. Já lotados de tanto comer e com o cansaço de trabalho e viagem, decidimos encerrar nosso primeiro dia mais cedo. 

24/01/2026 – Segundo dia de Mostra

Acordamos cedinho no Sábado para aproveitar o belo café da pousada e curtir um dia inteiro de palestras e filmes. 

Primeiramente, passamos na abertura do evento, pra acompanhar a conversa:

DIÁLOGOS AUDIOVISUAIS
SOBERANIA IMAGINATIVA – PERSPECTIVAS DAS CURADORIAS
24/01 | sábado | 10:00
Cine-Teatro

Foi um papo bom, parecido com o que aconteceu na edição passada, onde os curadores falam um pouquinho dos porquês dos filmes escolhidos, qual a ideia por trás do tema e dão um panorama de números do evento. 

Uma coisa que me incomoda nesse papo é que acabam sempre batendo na tecla de baixa representatividade de minorias nos filmes inscritos que foram escolhidos. Mas sinto que eles poderiam ter um pouco mais de ação sobre isso. Entendo que as escolhas devem ser feitas provavelmente sem saber os dados sobre os diretores e regiões, para ter total isonomia, mas sinto que eles podem mudar as regras. O festival é deles. Se estão preocupados com pouca representação de negros, mulheres, LGBTs, de norte, nordeste, etc, que aumentem as exibições desses filmes. Que criem momentos dedicados a eles. Que estipulem “queremos 40% dos nossos filmes exibidos feitos EXCLUSIVAMENTE por minorias”, “queremos 50% de filmes não Sudeste” e que limitem essa outra escolha que não olha para isso. Acho que dá pra resolver esse problema na hora de bolar e pedir as inscrições ao evento. Está mais sob o controle deles do que parece. 

Bem, depois disso fomos para o primeiro filme do dia:

LONGA – MOSTRINHA | PRÉ-ESTREIA MUNDIAL
PAPAYA
24/01 | sábado | 11:00
Cine-Tenda

Já tem resenha completa aqui, mas num resumo rápido, posso dizer que achei o filme sobre a semente de mamão divertido e confuso. 

Depois voltamos ao Cine-Teatro para ver os lançamentos de livros e acabamos descolando autógrafos de Frei Betto em seus belíssimos livros sobre Fidel Castro, a religião, e experiências socialistas. A Jandira Feghali e vários petistas (nada contra) também estavam lá:

LANÇAMENTO DE LIVRO + SESSÃO DE AUTÓGRAFOS
CULTURA É PODER
Lançamento do livro CULTURA É PODER – reflexões sobre o papel da cultura no processo emancipatório da sociedade brasileira.
Autora: JANDIRA FEGHALI Editora: Oficina Raquel

24/01 | sábado | 13:30
Cine-Teatro

O Frei Betto nem conseguiu falar na palestra de tanto que o pessoal da ANCINE e os petistas (nada contra) hablaram coisas e mais coisas sobre cultura e Lula (nada contra), e acabou apenas pegando o microfone para nos mandar almoçar. E almoçar nós fomos.

Escolhemos o Restaurante Padre Toledo, beeeem ao lado do Cine-Teatro. E foi uma boa experiência. Como já estávamos cabreiros de pedir mais entradas e não conseguir assistir mais filmes, partimos direto para o prato principal. Um belíssimo feijão tropeiro para, no mínimo, três pessoas. Estava bem gostoso, mas carecia mais carnes. Veio uma costelinha, um pedacinho de lombo e uma linguicinha. Por quase R$150, gostaria de pelo menos dois pedacinhos de cada carne. 

Mas tudo bem, bom que não comemos demais e pudemos voltar aos filmes. E fomos diretamente para a Cine-Tenda assistir:

LONGA – MOSTRA VERTENTES – PRÉ-ESTREIA NACIONAL
PALCO CAMA
24/01 | sábado | 16:00
Cine-Tenda

Mais um filme já comentado aqui. Vá ler tudo sobre. Mas saiba que eu amei. Foi meu filme favorito entre os que consegui assistir na mostra.

E como a gente tava pra jogo, já saímos do filme diretamente pra fila do próximo, que foi:

LONGA – MOSTRA AUTORIAS | PRÉ-ESTREIA NACIONAL
ATRAVESSA MINHA CARNE
24/01 | sábado | 18:00
Cine-Tenda

Um filme complexo. Só digo isso. Leia mais sobre aqui.

E depois dessa sessão dupla voltamos para a casa, descansamos um pouco, depois passeamos, compramos doces naquelas lojinhas da rua principal e voltamos para a Cine-Tenda para nossa última sessão:

LONGA – MOSTRA AUTORIAS | PRÉ-ESTREIA NACIONAL
UMA BALEIA PODE SER DILACERADA COMO UMA ESCOLA DE SAMBA
24/01 | sábado | 22:00
Cine-Tenda

Outro filme complexo. Leia.

Como já era quase meia noite, resolvemos deixar o show e as festividades para os jovens e terminar a segunda, e mais agitada, noite da Mostra por ali mesmo.

25/01/2026 – É hora de dar tchau

Em nosso último dia de Mostra fomos apenas para o Cine-Teatro comprar mais livros. O André da Filmes de Plástico estava lá autografando seu belorizontíssimo Na Zona Leste, um livro de pequenos contos de pessoas em BH, e não pude deixar de aproveitar. Sim, saí da Mostra de Cinema com mais livros comprados que filmes assistidos. É a vida de um decorador de estantes (pois ler que é bom nada).

O ônibus partia às 14h30, então resolvemos já ficar no restaurante da estação, bem em frente ao ponto, e esperar por lá.

Foi uma gostosura de viagem, que, certamente repetiremos no ano que vem. Até a próxima.

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