Caramelo é um filme que encapsula perfeitamente as principais tendências contemporâneas do cinema mundial, e para meu espanto, é uma criação brasileira (será que é mesmo?). Em meio a polêmicas, estudos, discussões, textões no twitter, e tudo mais que pode ser feito sobre a conexão entre inteligência artificial, algoritmos e conteúdo, temos diante de nós um filme feito artificialmente para o público brasileiro. Com toda a complexidade do gosto cinematográfico criado artificialmente para o brasileiro em anos e anos de exposição tóxica ao cinema estadunidense, conectada à criação de uma brasilidade falsa exprimida por um cachorro caramelo. Tudo isso feito por algoritmos da brasileiríssima Netflix, a netinha (grande sucesso mercadológico em nosso país).
Eu consigo até ver alguns engravatados e algumas… existe um feminino para engravatado? Tipo, “terninhos?” em alusão aos famosos “power-suits”… enfim, pessoas que olham para gráficos em alguma reunião olhando para os números da Netflix:
– Olhem, o Brasil é nosso terceiro maior mercado. A gente bem que podia fazer alguma coisa que agrade esse pessoal em sua própria língua. O que acham?
– Nada, solta mais uma temporada de Stranger Things aí, tira a Eleven do cative… quer dizer, de sua mansão, e coloca ela pra falar alguma palavra em português no instagram que eles já ficam satisfeitos.
– Pode ser, pode ser. Mas fico pensando aqui, a gente tem tanto dinheiro sobrando, já somos todos multimilionários, e ninguém aguenta mais a Eleven. Vamos brincar de fazer filme. O filme brasileiro perfeito!
– Mas, James, apesar deste diálogo estar sendo escrito em português e de roubarmos todo o dinheiro do Brasil, nós somos estadunidenses e não sabemos nada sobre esse país (a não ser que eles nos dão muito dinheiro).
– Fique tranquila, Karen, pois nós temos o algoritmo da Netflix para nos ajudar, além do Netflix GPT, que contém todas as respostas para a vida, o universo e tudo mais. Agora, vamos ver o que o brasileiro gosta.
James vai até o supercomputador da Netflix e começa a digitar. Imagino que algo assim tenha acontecido…

(Agora você vai ler abaixo exatamente o que eu, Michael, conversei de verdade com o Chat GPT).
Você disse:
o que mais representa o brasil
O ChatGPT disse:
Depende do ponto de vista — cultura, natureza, símbolos oficiais ou percepções no exterior — mas há alguns elementos que costumam ser reconhecidos como grandes representações do Brasil:
🇧🇷 Símbolos culturais e identitários
- Futebol — Pelé, Maracanã, paixão nacional.
- Samba e Carnaval — especialmente o Carnaval do Rio e de Salvador.
- Feijoada, pão de queijo, brigadeiro e churrasco — ícones gastronômicos.
- Capoeira — mistura de luta, dança e música, única no mundo.
- Bumba-meu-boi, frevo, maracatu, forró — diversidade cultural regional.
🌿 Natureza e biodiversidade
- Amazônia — maior floresta tropical do mundo.
- Pantanal — maior área úmida contínua do planeta.
- Praias icônicas — como Fernando de Noronha, Jericoacoara, Copacabana.
- Animais emblemáticos — onça-pintada, arara-azul, mico-leão-dourado.
🏛️ Símbolos oficiais
- A Bandeira do Brasil
- O Hino Nacional
- O Cristo Redentor
- O Pão de Açúcar
- O Congresso Nacional / arquitetura de Brasília
🎶 Expressões artísticas reconhecidas
- Música popular brasileira (MPB) — Tom Jobim, Caetano, Gil, Elis.
- Bossa Nova — um dos sons brasileiros mais conhecidos no mundo.
- Literatura — Machado de Assis, Clarice Lispector, Jorge Amado.
🧉 Coisas do cotidiano que viraram símbolo
- Café — história e economia.
- Havaianas
- Novelas brasileiras
- Açaí, guaraná, coxinha
- Jeitinho brasileiro — para o bem e para o mal.
Se você quiser, posso montar uma lista mais curta, um texto poético, uma frase para rede social, ou até um roteiro de vídeo com o que melhor representa o Brasil. Quer qual versão?
Você disse:
quero uma ideia de filme em um parágrafo
O ChatGPT disse:
Num futuro próximo, o Brasil descobre que a Amazônia abriga uma frequência sonora ancestral capaz de curar doenças e alterar emoções humanas; quando uma grande corporação tenta transformar esse poder em arma, uma jornalista desacreditada, um cientista indígena e um ex-militar precisam atravessar a floresta para proteger a fonte desse som — enquanto a própria selva começa a reagir, como se estivesse viva e decidida a escolher quem merece sobreviver.
Você disse:
quero algo mais leve, um romance contemporâneo
O ChatGPT disse:
No Rio de Janeiro, uma jovem designer gráfica carioca ganha a chance de fazer uma campanha publicitária para uma marca de surf, e acaba pedindo ajuda ao instrutor de surfe local, um surfista carioca tranquilo e sorridente. Enquanto eles passam dias trocando ideias para o trabalho, pegando ondas nas manhãs douradas e conhecendo os recantos menos turísticos da cidade, surge uma conexão verdadeira — mas ela está prestes a voltar para São Paulo por uma proposta de emprego. Agora, com o coração dividido entre carreira e amor, ela terá que decidir se fica na cidade carioca onde encontrou sua paixão também fora do trabalho.
Você disse:
pelos números que tenho aqui o brasileiro gosta muito de filme de cachorro, encaixe um cachorro nessa história
O ChatGPT disse:
Claro! Aqui vai a mesma ideia de romance contemporâneo com um cachorro que realmente importa para a história:
No Rio de Janeiro, uma designer gráfica paulistana ganha a chance de criar a nova campanha de uma marca de surf, mas para entender o espírito do projeto ela precisa da ajuda de Tomás, um instrutor de surfe carioca sempre acompanhado de Bolota, seu vira-lata caramelo resgatado — famoso na praia por “participar” das aulas entrando no mar atrás dos alunos. Entre manhãs de ondas, noites de criação e passeios inesperados guiados pelo cachorro, nasce uma química suave e inevitável. Só que ela está prestes a voltar para São Paulo por uma proposta irrecusável, e Bolota — que nunca gosta de ninguém, exceto de Tomás — surpreendentemente parece ter escolhido ela. Agora, entre carreira, amor e um cachorro que insiste em uni-los, ela precisa decidir se volta ou se fica para descobrir o que poderia ser um novo começo.
Você disse:
podemos trocar o surfista por um cozinheiro? tenho números aqui que mostram que o brasileiro gosta de um filme de culinária
O ChatGPT disse:
Claro! Aqui está a versão do romance trocando o surfista por um cozinheiro, mantendo Bolota como personagem-chave:
No Rio de Janeiro, uma designer gráfica paulistana é contratada para criar a identidade visual de um novo bistrô de comida afetiva e precisa trabalhar diretamente com Tomás, o jovem chef carismático conhecido por transformar receitas simples em memórias comestíveis — sempre acompanhado de Bolota, o vira-lata caramelo que circula pela cozinha como se fosse o gerente do lugar. Entre testes de pratos, caminhadas pelo Mercado de São Pedro e longas conversas madrugada adentro enquanto ele cozinha e ela rabisca ideias, nasce uma intimidade inesperada. Mas ela está a um passo de aceitar uma proposta em São Paulo, e é justamente Bolota — que costuma rosnar para desconhecidos — quem parece sentir sua falta sempre que ela vai embora. Agora, entre carreira, amor e um cachorro que insiste em aproximá-los, ela terá que decidir se volta ou se fica para descobrir que algumas receitas só dão certo quando feitas a quatro mãos… e quatro patas por perto.
Você disse:
agora me sugira um ator brasileiro para interpretar tomás
O ChatGPT disse:
Alguns atores brasileiros combinariam muito bem com o Tomás, o chef carismático de comida afetiva. Aqui vão três opções — cada uma dá um tom diferente ao personagem:
⭐ 1. Gabriel Leone
Charmoso, versátil e com presença suave. Ele tem aquela mistura de introspecção e calor humano que combina com um chef apaixonado pelo que faz.
⭐ 2. Jesuíta Barbosa
Traz profundidade e um ar sensível ao personagem. Funcionaria muito bem num romance com nuances mais emocionais.
⭐ 3. João Pedro Zappa
Carisma discreto, vibe natural e talento para personagens gentis. Ele daria um tom romântico e realista ao filme.
Se você quiser, posso sugerir opções mais maduras, mais jovens, mais populares, ou até montar uma shortlist baseada no estilo do filme. Quer outra linha?
Você disse:
perfeito, vamos de gabriel. e sugira uma atriz para contracenar com ele e ser seu par romântico
O ChatGPT disse:
Ótima escolha! Gabriel Leone combina muito com esse clima de romance culinário leve. Aqui vão três atrizes que fariam uma dupla perfeita com ele — cada uma com uma energia diferente, mas todas com ótima química possível:
⭐ 1. Vitória Strada
Carismática, expressiva e com timing perfeito para romance. Ela tem uma doçura natural que combina lindamente com o charme tranquilo do Gabriel.
⭐ 2. Bruna Marquezine
Traz leveza, humor e presença. A parceria com Gabriel renderia um casal moderno, elegante e super vendável para o público.
⭐ 3. Alice Wegmann
Tem uma vibe sensível e verdadeira, ideal para uma designer criativa que vai se envolvendo aos poucos com o chef — seria um par cheio de nuances.
Se quiser, posso montar uma sinopse já com os nomes, ou sugerir versões com atrizes mais alternativas, mais maduras ou mais “queridinhas do público”. Quer explorar mais?
Você disse:
não, adorei a vitória strada. agora eu queria que você colocasse na história alguma situação triste, uma tragédia a ser superada pelos dois, talvez alguma doença, e refaça a sinopse com os nomes dos atores após os nomes dos personagens
O ChatGPT disse:
Claro! Aqui está a sinopse revisada, agora incluindo uma tragédia emocional, uma doença não específica (para evitar detalhes sensíveis), e os nomes dos atores logo após os personagens:
No Rio de Janeiro, Lara (Vitória Strada), uma designer paulistana em crise criativa, é contratada para desenvolver a identidade visual do novo bistrô de comida afetiva do chef Tomás (Gabriel Leone) — sempre acompanhado de Bolota, o vira-lata caramelo que trata a cozinha como seu reino. Entre receitas fumegantes, noites de brainstorming e risadas que surgem sem esforço, os dois se aproximam… até que Tomás revela que sua mãe, a pessoa que lhe ensinou a cozinhar e inspiração do bistrô, está enfrentando uma doença grave e precisa fechar o restaurante temporariamente para cuidar dela. Lara, prestes a aceitar um emprego em São Paulo, se vê dividida entre a oportunidade da carreira e o desejo inesperado de permanecer ao lado dele nessa fase difícil. Enquanto os três — Tomás, Lara e Bolota — enfrentam juntos o medo, a fragilidade e a possibilidade de recomeço, eles descobrem que algumas histórias de amor só nascem quando a vida, inesperadamente, desmonta o que parecia certo.
Fala sério, você não assistiria meu filme, o Amor à quatro patas? Ah, não te falei? Pedi pro Chat GPT fazer um poster do filme e saiu assim:

Também pedi pra ele fazer o filme dentro da Netflix e ele trocou o nome para Sabor da Vida. Igualmente ótimo.

E aí, muda uma coisinha, muda um orçamento aqui, outro ali, um ator não está disponível, outro recusa pra fazer novela, muda detalhes na história… e temos Caramelo. O primeiro filme feito por Chat GPT exclusivamente para o público brasileiro.
E agora vamos ao que interessa. Isso aí é bom?
Não! Mas também não é ruim. É um filme artificial, falso, que não tem nada de Brasil – tirando o cachorro caramelo e pessoas falando português – mas é gostosinho, bobo, divertido, com um ótimo cachorro e uma história água de salsicha como milhares de outras histórias água de salsicha estadunidenses quaisquer. E não tem nenhum julgamento aqui. Está tudo bem. Caramelo é um dos filmes brasileiros já feitos.
Existe aí uma conversa mais profunda sobre filmes descartáveis, com histórias batidas, remendadas, claramente da cultura de outro país (coloca ali, sei lá, a Sidney Sidney e o Glen Powell nos papéis do casal e vê se não dá na mesma), e que isso é danoso para nossa cultura, nosso cinema, e que criadores de verdade perdem ou não tem espaço enquanto esse tipo de conteúdo é exaltado… mas aí eu precisaria pesquisar muito, fazer um mestrado, ter evidência, então prefiro pensar que realmente pode ser ruim, mas pelo menos é um filminho falado em português, feito por brasileiros, com brasileiros falando as palavras em português escritas pelos brasileiros que fizeram o filme, e se o pessoal tem que ver filme vazio, sem propósito, sem sentido, que seja feito em português também. Viva o cinema brasileiro!


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